domingo, 17 de abril de 2011

Inspiração

Eu hoje inspirei profundamente o ar para os meus pulmões ao acordar,
Inspirei e percebi que trazia para muito mais de mim do que estava sendo.
Às vezes nós saímos um pouco de nós e bagunçamos um pouco a estabilidade das nossas vidas,
A vida é mesmo um ciclo de pequenas revoluções e precisamos peitá-las assumindo os riscos que isso nos traz,
Hoje eu inspirei profundo as partículas de mim mesmo que orbitavam elétrons a minha volta,
Cedi à tensão que insistia em manter-me longe...distante e me inspirei...
Concretizei meu coração em prótons e elétrons e me sinto feliz e mais completo.

sábado, 16 de abril de 2011

Original

Senti hoje no interstício do mundo a poeira dos momentos.
Toquei a parede e senti a paz, a tristesa, a alegria, o cheiro de cada partícula que aglutinava-se nos vãos das minhas digitais...
Vi que éramos iguais, todos Dna's de momentos, eu, memória do corpo,  ela, memória do lugar.
Me identifiquei com a poeira...algo que vai depositando pouco a pouco, dia após dia e vai ficando.
E vai se formando aos poucos, se moldando no friso do mundo, onde tudo o que era revolução se assenta se acalma e vai...
Hoje me senti poeira e entendi que minha rinite é identidade. É essa identidade incômoda, onde aquilo que que é força briga e as partes cedem.
Eu cedo aos alérgenos e respondo com o espirro...
E o espírito agita o ar e se deposita novamente em poeira.
E eu que havia esquecido que essa é a forma original do homem.
E eu que havia esquecido que essa é a forma original do mundo.
Sei que temos encontro marcado...
Mas sigo fingindo esquecer.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Doce

Ela afagou meus cabelos e disse-me para ficar tranquilo.
Sou sacerdote dela e a levo comigo com um orgulho simples de quem carrega um brinde singelo de ouro. Eu que nem gosto de ouro, de usá-lo. É algo externo a mim, gosto de vê-lo de longe. Assim lembro do que me contém, tanto e com tanta força que me basta o que está dentro.
Formo minhas capas, minhas camadas e ela desvela, desfaz, revela o que sou mais profundo. A cebola se fez dia após dia e ela com sua faca dourada me vê e sabe quem sou no mais profundo.
Carrego a água e vou calmamente olhando e relembrando a marca ancestral do amor que me revela. A água calma que é a força primordial, a força revigorante, a força refrigerante da alma. E cresço na margem da sua trajetória para te contemplar. Eu que também sou limo, mata ciliar, mato e muitas vezes me deixo ir com você e outras me deixo ficar aqui com ele na margem.
Ela afagou meu cabelo e disse que aguardasse, ela me afagou e me disse que estarei, um dia tão perto dela que serei ela e ela será a mim.
Eu afaguei o cabelo de meu filho e sendo a mim e a ela cantei o amor de minha alma para aquele serzinho, aquela matéria de amor que tinha calor na pele, que tinha a pele formada de mim, aquele que era do meu útero de homem. Afaguei e cantei. E trouxe a calma e a milha alma hoje é serena.

Paz

Assim sou eu,
Metáfora viva do mundo, sou terra
Embaixo de mim(ou dentro) profundas reciclagens, revoluções, transformações...
Telas de descanso, dissimulações naturais, eu levo a paz,
E a minha paz?
A paz que eu preciso e que desvelo aos outros é o desejo que tenho pra mim.
Tenho um buraco aqui no centro do estômago e nele há sopas de elementos em profunda, intensa revolução
Telas de descanso, trago para dentro a falta de paz alheia
Aqui dentro administro isso, sou máquina de fazer paz
E faço e refaço e me esqueço de mim no mundo
Metáfora viva pelo avesso sou guerra
Pinto as paredes de vermelho e preto
Amolo as facas e as lanças,
Aponto a seta
Aqui sou um sem limites de mim
Aqui realizo o que me envergonha mas o faço
Na metade que a mim cabe e exponho as dores do buraco negro de mim
E nada entra mais e só sai
Assim sou eu, memória de extremos na eterna busca de equilibrio...
Assim alma bruta, corpo leve, corpo bruto, alma leve, novelo de espinhos, espinhos de lã...
E o que eu quero?
Não sei.

Luta

Luto com os meus lutos,
Todos os pretos de mim numa tela de clarão,
Morro a cada investida perdido do amor,
E a cada passo percebo o quanto o adoro, o amor.
Mas passo a passo percebo que ele está longe do concreto
Ou me distancio do mundo?
Me joguei um milhão de vezes no abismo do amor
Lutei, resisti ao hábito clichê de renegá-lo como se não existisse,
Mas sempre acreditei naquilo que sinto e no que me dói e compraz.
Me feri e me firo um milhão e meio de vezes
Na teia de arames, na esteira de espinho e lambo o sangue que escorre em mim
Meu rosto, minha pele, minhas entranhas, meu falo,
Bebo do sacrifício que é desgastar-se pelo maldito ritual do amor
E assumo os meus riscos
E sigo a estrada
Pra rua me levar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Água

É agua meu nome.
É mágoa o nome da dor da água que choro,
Esse amor-estanque que transborda,
Esse olho forte que chora para adiante acalmar o corpo e a alma,
É água meu espírito errante na ressaca do útero do mundo,
É água meu coração que água tudo o que ama,
Sou estrangeiro a nesse mundo de superficialidades,
Sou a tensão superficial, mas sou a profundidade agridoce de rio com mar.
E sou água, reelaboro o mundo nesse curso de uma a mil vezes,
Pois estou acostumado às mudancas de estado, estação, ritmo.
É agua meu nome,
Não tente me cercar jamais, me roube e me terá, mas por instantes...

sábado, 2 de abril de 2011

E...



Meio de mim parte...
Partido ao meio em veias e veios abertos.
Meus sulcos exprimem a clorofila cheirosa do que é ser eu,
Do que é dor e do que é ar.
Acho que talvez até aqui é tudo que sou,
É o que consegui ser, acredito que a vida é mais do que o menos que conseguimos pensar,
E sigo trilhando meu caminho acreditando em destino, mas fazendo as estradas, pois nunca se sabe quando precisaremos voltar.
Sei que meu caminho é Doar, mas pretendo doar menos nessas proximas décadas, para que eu Viva.
Sobreviver não faz mais parte de minha jornada,
Daqui meu caminho só admite conquistas e estou preparado para elas,
Já perdi demais e agora Caracol experiente deixarei parte de mim em tudo, mas trarei bem mais de mim e do outro, porque mereço.
Sigo fodendo pedras e deixando rastros e trazendo comigo o suficente para não deixar nu o adversário, evitarei chuvas torrenciais e tempestadas e entrarei na casa tempo suficienter para não ser percebido e perseguido, sempre fui de Zélia e escolhi o fugitivo de Nessa.
Continuarei fugindo e tentarei menos estragos no caminho...
O amor não é mais prioridade para mim. Pelo menos Eros. Agora é ir seguindo, muro após muro, porta após porta, fechadura após fechadura em mundos instantâneos e o amor que derrama em meu peito guardarei comigo e cuidarei de evaporar essa água, com o suor nosso de cada dia. Darei de mim ao que me suplanta e poderei até doar meu corpo a um alheio, mas para meu prazer e só.
Meu corpo dificilmente disponível e minha alma talvez nunca mais. Terei de traçar os limites do consumo de minha vida, ter meus territórios e enchê-los de muros altos e fortes e dedicar o meu amor aos meus. Àqueles que me antecedem, os que eu represento com todo o respeito.


Assumo a lei e me dou a ela por completo. O nome dessa força é basta. O nome dessa lage é casa e me caso comigo mesmo. Hoje e sempre. Assim Seja!