Ah Senhora das Águas!
Quando você me toca fico
sem hora das lagrimas,
do pranto,
do canto
e
eternamente sem hora das águas.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Reflexões sobre aulas em Paripe
Ah esses caminhos de mangue e estrada me roubam
Eles me zooneiam às avessas e sigo-o na linha da estrada...
Perco-me em pensamentos...
Qual a minha real necessidade?
Minha linhagem é essa...
Esse bicho que me atormenta
O auto-questionamento necessário
Pergunto as minhas teogonias pagãs
Pergunto ao trilho, o mar, a lama
Desisto! Não vou conseguir!
E choro...
Refluo desse eu...supostamente fraco. O choro dos meus demônios...
Não sou capaz! E choro mais, a cabeça dói até descobrir...
Chorar é um ato de força e coragem
Descubro...
Atrás da cachoeira que margeia esse mundo barroco-postal...
Há pedras antigas
pedras de raio, pedras de rio, pedras de mar, pedras de trilho
E ouço o grito rasgado do índio que me margeia dizendo
Chorar, meu filho, é se recolocar no lugar que já nasceu seu ser
Grite! Chore, mas ande!
Adiante Guerreiro-gentil...
Ande sobre todas as águas, mas com as pedras firmes nas mãos
Ande meu Gentil-guerreiro, mostre a ponta do ofá
E rasgue delicadamente os limites do provável
Suplante as estatísticas, rasure...
Ande Guerreio sobre as águas e mostre o milagre
que te ensinei a viver...
Eles me zooneiam às avessas e sigo-o na linha da estrada...
Perco-me em pensamentos...
Qual a minha real necessidade?
Minha linhagem é essa...
Esse bicho que me atormenta
O auto-questionamento necessário
Pergunto as minhas teogonias pagãs
Pergunto ao trilho, o mar, a lama
Desisto! Não vou conseguir!
E choro...
Refluo desse eu...supostamente fraco. O choro dos meus demônios...
Não sou capaz! E choro mais, a cabeça dói até descobrir...
Chorar é um ato de força e coragem
Descubro...
Atrás da cachoeira que margeia esse mundo barroco-postal...
Há pedras antigas
pedras de raio, pedras de rio, pedras de mar, pedras de trilho
Chorar, meu filho, é se recolocar no lugar que já nasceu seu ser
Grite! Chore, mas ande!
Adiante Guerreiro-gentil...
Ande sobre todas as águas, mas com as pedras firmes nas mãos
Ande meu Gentil-guerreiro, mostre a ponta do ofá
E rasgue delicadamente os limites do provável
Suplante as estatísticas, rasure...
Ande Guerreio sobre as águas e mostre o milagre
que te ensinei a viver...
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Kabiesile
Seis vezes a medida da direita
seis vezes a medida da esquerda
uma decisão
Xangô
Não há pendor, balança equilibrada
Me cavalga meu pai
Quero meu corpo forte para me carregar com seu axé
Para carregá-lo, cavalo que sou
Kaô, Kaô
Meu pai gritou na minha cabeça
O jogo fechou
E ali só a justiça pairou
Silenciosa, solene, forte, como se depois de um trovão
junta-se os cacos e o caos dos seus Kaôs fez a dúvida em pedaços
Construída agora sob a sua ótica, honesta, justa, gozadora
Kaô meu rei corta com seu machado as pedras e lança meu pai
Lança no meu destino
Seja, como senti hoje, eu e você
Dono de meu Odu
de meu ifá...
Pai deitarei um milhão de vezes a cabeça no chão
porque você grita agora na minha cabeça
Que hoje é benção e salvação.
seis vezes a medida da esquerda
uma decisão
Xangô
Não há pendor, balança equilibrada
Me cavalga meu pai
Quero meu corpo forte para me carregar com seu axé
Para carregá-lo, cavalo que sou
Kaô, Kaô
Meu pai gritou na minha cabeça
O jogo fechou
E ali só a justiça pairou
Silenciosa, solene, forte, como se depois de um trovão
junta-se os cacos e o caos dos seus Kaôs fez a dúvida em pedaços
Construída agora sob a sua ótica, honesta, justa, gozadora
Kaô meu rei corta com seu machado as pedras e lança meu pai
Lança no meu destino
Seja, como senti hoje, eu e você
Dono de meu Odu
de meu ifá...
Pai deitarei um milhão de vezes a cabeça no chão
porque você grita agora na minha cabeça
Que hoje é benção e salvação.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Vultos sem fusos
Aponto o ofá, miro a seta. Pronto para atirar, só vejo a imagem ora esmaecida, ora nítida...
Esse movimento da estrada em viagem, esse movimento da queda inesperada, do empurrão, do avião...
Esmaecidamente, eu-caçador, debato-me tentando apreender, aprender, aprisionar o cheiro, o gosto, o momento...
Senta-se ao meu lado e ao mesmo tempo está firme no palco.
Olho com espanto e ele me diz:
Minhas faces são muitas, minhas linguas todas...
Porque espantas de ver aquilo que carrega?
Tomo chapeu do compadre e visto-me inteiro com sua roupa quente...
metade vermelho, metade preto
Para causar a confusão de meus vizinhos que discutem direita e esquerda, qual cor é a verdadeira...
Eu de chapéu concluo : Não importa a verdade, importa se a liberdade é preta e a luta vermelha(tudo cabe aqui na roupa, na camisa, na alma)
E continua:
E eu sou, vou e sempre serei a eterna confluência,
a morte do signo fixo e da verdade
A vida da dúvida
sou encruzilhadas eternas,
eternas movências,
o que esmaece é um nada do que consigo ser e não ser,
meu nome compadre é o que você tem ou não tem!
Sim!...Sim?...Não?...Não!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Horizonte no subúrbio ferroviário
Miro esse lugar com um desejo tão estranho...
Sempre fui órbita dele...mas parece que, na realidade, me desprendi do núcleo violentamente algum dia...perdi a memória e estou aqui. Magnético.
Orbito com estranheza e familiaridade...
Isso é o que frequentemente chamo de ancestralidade.
Acho que minha terra é essa, mas sempre foi aquela que vivi.
Uma saudade daquilo que não vivi, mas sei ter vivo no meu peito...
Miro da janela com familiaridade estranha, esse horizonte e o cantor da playlist que fala de um lugar do crepúsculo..."no dia em que você foi embora..."
Me pego sorrindo e chorando pela coincidência e beleza do instante...
Sei que estou em outra ponta de uma realidade...
Os manto branco de franjas vermelhas, torna-se um manto vermelho de franjas brancas, lembro-me do autor de Igreja do Diabo...
Enquanto isso converso com testemunhas de Jeová que tentam me convencer de uma verdade estabelecida e permaneço dançando na minha mente para Ogum-Xoroquê, lembro-me da dinâmica do caminho, do trem, ebós...lugares-perfeitos...
Não vou ser indelicado com ela...foi tão paciente para tentar não parecer o óbvio dentro desse excesso de botões nesse calor infernal. Tentava disfarçar-se de transeunte normal para dar o bote e "vaaal", salvar minha alma. Entendo-a esse é o princípio de sua doutrina, não gosto de ser agredido na minha e ela, pela educação, também não merece.
As vezes também tento não parecer o óbvio, me disfarço mesmo, sem perder meus princípios...os parâmetros são móveis...vivemos numa sociedade em que o poder é disputado por grupos e mais grupos sociais que brigam por sua identidade...mas somos tão híbridos...tão pós-coloniais, tão sofridos...
Entendo minha amiga e a trato com educação, pois não falou mal de nenhuma religião, mas volto à paisagem com o intróito de que Deus(Zambi e Kaia pra mim) é tão maravilhoso...com essa paisagem...
A minha vida me deu muitas alegrias e percebi que essas coisas simples são as mais importante...abraço a irmã camuflada e recebo sua benção, não me importa o código dela...tivemos empatia...
Volto ao lugar, que coisa linda, minha Kaia...
Ai que desejo de viver aqui....
Ponto final do trem
Desço triste e completo ao mesmo tempo...como quem se lembrou do brinquedo enterrado no quintal depois de 20 anos e sigo o caminho de sempre, mas sei que não para sempre...caminhos de me achar...caminhos de me perder...
Sempre fui órbita dele...mas parece que, na realidade, me desprendi do núcleo violentamente algum dia...perdi a memória e estou aqui. Magnético.
Orbito com estranheza e familiaridade...
Isso é o que frequentemente chamo de ancestralidade.
Acho que minha terra é essa, mas sempre foi aquela que vivi.
Uma saudade daquilo que não vivi, mas sei ter vivo no meu peito...
Miro da janela com familiaridade estranha, esse horizonte e o cantor da playlist que fala de um lugar do crepúsculo..."no dia em que você foi embora..."
Me pego sorrindo e chorando pela coincidência e beleza do instante...
Sei que estou em outra ponta de uma realidade...
Os manto branco de franjas vermelhas, torna-se um manto vermelho de franjas brancas, lembro-me do autor de Igreja do Diabo...
Enquanto isso converso com testemunhas de Jeová que tentam me convencer de uma verdade estabelecida e permaneço dançando na minha mente para Ogum-Xoroquê, lembro-me da dinâmica do caminho, do trem, ebós...lugares-perfeitos...
Não vou ser indelicado com ela...foi tão paciente para tentar não parecer o óbvio dentro desse excesso de botões nesse calor infernal. Tentava disfarçar-se de transeunte normal para dar o bote e "vaaal", salvar minha alma. Entendo-a esse é o princípio de sua doutrina, não gosto de ser agredido na minha e ela, pela educação, também não merece.
As vezes também tento não parecer o óbvio, me disfarço mesmo, sem perder meus princípios...os parâmetros são móveis...vivemos numa sociedade em que o poder é disputado por grupos e mais grupos sociais que brigam por sua identidade...mas somos tão híbridos...tão pós-coloniais, tão sofridos...
Entendo minha amiga e a trato com educação, pois não falou mal de nenhuma religião, mas volto à paisagem com o intróito de que Deus(Zambi e Kaia pra mim) é tão maravilhoso...com essa paisagem...
A minha vida me deu muitas alegrias e percebi que essas coisas simples são as mais importante...abraço a irmã camuflada e recebo sua benção, não me importa o código dela...tivemos empatia...
Volto ao lugar, que coisa linda, minha Kaia...
Ai que desejo de viver aqui....
Ponto final do trem
Desço triste e completo ao mesmo tempo...como quem se lembrou do brinquedo enterrado no quintal depois de 20 anos e sigo o caminho de sempre, mas sei que não para sempre...caminhos de me achar...caminhos de me perder...
Transcendental
De repente entro naquela minha parte referente ao legado ancestral. É o corte no tempo e no espaço o orixá. É saber ter testemunha espiritual da sua vida corrente, contemporânea. É a reaproximação com a África pelos signos e não é a África. É o corte no espaço e no tempo o Sarau Black. É ressignificar inumeras vezes para contemporaneidade uma luta jamais esquecida. É o espaço do fazer e ser, sem silêncios, sem censuras. É a arte do pessoal biógrafa. É o ser telúrico. É exu. É Nelson MAca Maca em tentáculos braços de uma resistencia e uma reexistência assustadoramente contemporânea, quente, afim. E eu sentado arrepiado me sinto redescoberto, quilombola, Angola, um ser espiritualmente reenergizado com meu povo, com meu sangue ali. Obrigado Maca!
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O legado
À Ana Maria e Um Defeito de Cor...
Sou eu Kehinde de Dahomé!
Orfã de tudo.
Até de mim mesma...
Numa parte que não me é inteira
Uma parte pingente e pungente..
Eu individual e coletiva
Eu polifônica
Fiz meu batizado quando decicdi que não seria carneiro
Meu sacrifício é outro
Entrego o meu corpo ao lado contrário
Meu sacrificio é intenso movimento
Eu que sou filha de Oxum e não tive morada fixa
Aqui estou navio adentro num périplo
Cheguei no escuro e voltei no escuro
Recebi de minha avó o deká,
Agora é seu Geninha!
Você que também perdeu cedo como eu...
Perdeu no seu corpo.
Deixo o meu legado...
Cultura
Sou fraturada
Sou, ao mesmo tempo, erudita e oral
Sou oral
Porque devia isso aos meus
Tinha que passar o relato..
Minha irmã Taiwo é Ana Maria, sim.
Era ela que estava o tempo todo em meu pingente.
Pungente
Ana é seu avatar, seu reencarne contemporâneo.
Taiwo dentro dela a fez militar por mim.
Por um revide,
por uma reescrita
Minha irmã!
Por Olorum (Deus ou Zambi)!
Não se preocupe em inventar
Você tem o melhor de mim
E o poder de revolucionar essa história
E continuar a minha linhagem e a de meu filho,
Depois de Geninha, que agora recebe minha herança.
A história tem um espírito
Eu moro na casa dele
E daqui também completo nos leitores
Aquilo que só o axé dá conta.
Cansada demais para continuar em cartas
Respondo agora nos corpos interditados
Que de mim agora herdam movimento...
Sou eu Kehinde de Dahomé!
Orfã de tudo.
Até de mim mesma...
Numa parte que não me é inteira
Uma parte pingente e pungente..
Eu individual e coletiva
Eu polifônica
Fiz meu batizado quando decicdi que não seria carneiro
Meu sacrifício é outro
Entrego o meu corpo ao lado contrário
Meu sacrificio é intenso movimento
Eu que sou filha de Oxum e não tive morada fixa
Aqui estou navio adentro num périplo
Cheguei no escuro e voltei no escuro
Recebi de minha avó o deká,
Agora é seu Geninha!
Você que também perdeu cedo como eu...
Perdeu no seu corpo.
Deixo o meu legado...
Cultura
Sou fraturada
Sou, ao mesmo tempo, erudita e oral
Sou oral
Porque devia isso aos meus
Tinha que passar o relato..
Minha irmã Taiwo é Ana Maria, sim.
Era ela que estava o tempo todo em meu pingente.
Pungente
Ana é seu avatar, seu reencarne contemporâneo.
Taiwo dentro dela a fez militar por mim.
Por um revide,
por uma reescrita
Minha irmã!
Por Olorum (Deus ou Zambi)!
Não se preocupe em inventar
Você tem o melhor de mim
E o poder de revolucionar essa história
E continuar a minha linhagem e a de meu filho,
Depois de Geninha, que agora recebe minha herança.
A história tem um espírito
Eu moro na casa dele
E daqui também completo nos leitores
Aquilo que só o axé dá conta.
Cansada demais para continuar em cartas
Respondo agora nos corpos interditados
Que de mim agora herdam movimento...
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