domingo, 20 de março de 2011

Tons

Tons em amarelo, num dia azul. Um dia de profusão de cores. Qual a cor que em mim abre as portas? Qual a cor que me inaugura e me lança dia a dia nessa caçada diária sem fim? E qual o fim? Será que há fim para todos os começos? Começo a pensar que cada fim é um novo recomeço e reco(mé)ço...O que me inaugura? Por muito tempo pensei que era o amor ao próximo. Depois pensei que era amor aos meus pedaços espalhados pelo mundo, partes de mim, daqueles que me provaram e têm o gosto bom na boca, mesmo tendo provado o meu fel. Não. Seria um tom entre rosa e vermelho. Mas não. Depois aos poucos e não sozinho percebi que tudo começava por minha vontade, meu ego, não há amor ao próximo e sim aos meus padrões. Isso me deu uma angústia profunda como a um crime, me amar acima de tudo. Daria o preto então, mas descobri que a minha cor tinha que ser algo duvidável, bem em cima do muro, tipo Ciano, Roxo, Verde, sei lá. Minha cor não sei, mas minha coisa é a dúvida.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Meu lindo Rei

O rei da mata dançou firme e lindo. O rei da mata dançou, trazendo equilibrio e dispersando força para toda natureza vivente. O rei dançou e dança rápido e gira lento, distribuido axé. Meu rei da mata dança e lança flechas de luz direcionando todo aquele que faz o bem. Meu rei que cheira a milho cozido e côco. Meu rei do akoko dançou e dança para curar e proteger filhos de fé. Meu pai dança na minha cabeça, no meu espirito e na minha alma. Aquele que acerta o alvo com uma flecha só, aquele que lança no meu espírito a força do trabalho que dá meu caminho, meu pai duas vezes. Saravá Oxossi Mutalambô!

Do tom


O segredo de ser negro eh ter a noçaum natural de que estamos sempre trabalhando energias...que somos uma fonte delas, mas tambem catalisadores como prisma....a negritude eh um dom diferente...nos espalhamos a luz do sol, porque ele precisa irradiar e espelhamos a lua para emanar. Eh um eterno trabalho com as forças naturais. A energia naum passa se transfigura, configura, transmuta no neutro negro...o negro que eh a presença das cores....a negritude me ilumina eh a alma sem roupas...e a luz inversa...a luz concentrada e implosiva...eh a força explosiva...a negritude no fundo me ilumina.

Maré

A terra regada em seus sulcos, o sol a rachar, sementes brotando vividas de luz, amor à terra. Mar de mangues, broto de matéria primordial da maré-mãe...imensidão. A areia regada em seus sulcos mais finos retendo o liquido-sal. A pele regada de dentro, o sal, o suor em cada poro de pele..agora leio as minhas mãos, traço a traço suado...Deus, poruqe essa mania de intensidade? Porque esse querer mais profundo de amor e de querer bem? Esse movimento de camera do meu olhar persegue o mais profundo e o mais superficial do vivente e vejo a alma ou procuro a alma de tudo. E coleciono almas e amores em zooms...

Penas...



Mário Amorim

É pena que amor já vem e me disseca com 
seus olhos de ciência 
mais profunda.

É pena que amor já vai 
lindo, leve, livre, solto e sem mim,

É pena o que uso quando 
escrevo porque o que eu sinto vai ao meu mil-avô
e tem o peso do 
talhar de pedras de Moisés ou o sangue da idade da 
pedra e se vive e
se sente essa pena.

Essa pena pesada de escrever quando o amor 
já vai e essa pena pesada de 
amar quando o amor vem.

É pena 
essa onda que leva e traz essa vontade dentro de mim. 
Essa

vontade lagarta.

É pena, mas aí já é flor e desabrocha na tinta, 
no papel(metáfora para 
scraps?)
Na pena de dedos ávidos que 
quando não sente o calor da pele se
refaz nos digitos da pena 
virtual.

Apenas há duas penas: expressar e amar.

Gellato




Mário Amorim


O amor, às vezes precisa refrigerar afastar, ver de longe.
Mas cuidado pra não congelar,Isso pode endurecer os corações e o degelo é dificil.
Para esse degeto microondas pode passar do ponto e cozinhar e aí é que desanda.
Quer saber amor não se coloca em geladeira.
Aproveita quente, discute quente, resolve quente e sem medo da dor.
Amor eu prefiro no calor das negociações, mesmo sabendo que é preciso refrigerar.
Agora com meus dedos enrrugados, discordo na prática, preferia torrar no dendê a amargar essa espera...

Ó Venus-Oxum! Porque me abandonas? Nesse painel branco enregelado? Não vê que corro risco de hipotermia?

Hipo-sentimentos...minha pele sente falta...

Minha pele não suporta o frio, ela (preta) é pra queimar, ferver....

Que falte energia nessa caixa branca e que você venha logo para cá porque vai ficar escuro e quente e dificil de resistir e suarei intensamente e me esquecerei que um dia algo foi frio.

Prefiro o Inferno ao Inverno...


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Amor-Axé

Achei que o meu axé resolvia essa minha vontade de ser seu. Achei que meu axé faria você voltar e decididamente declarar: sem você não sei viver. Achei que o meu axé também pudesse fazer o contrario e te fazer me abandonar. Descobri uma coisa interessante. Axé não derruba muro e você estava lá e continua la em cima re-fle-tin-do e os raios do axé refletem e impedem do meu coração chegar a você. Meu axé me disse: A decisão é tua e sempre foi. Pintei o muro de amarelo e azul turqueza, escrevi amor em vermelho e fui por uma estrada azul-marinho de ladrilhos azuis turqueza, num caminho preto. Meu coração era colorido de esperança e um pedacinho especial era cinza de angústia porque sabia que a saudade iria doer e dói mas a vida batia vermelha em meus pulsos e um rei ergueu minha cabeça e disse levanta e anda e caminho num chão em brasas, descalço, pra não esquecer a cor da raiz. Meu cheiro é sândalo e alecrim e espalho energias multicores para quem vier...lembrando de você, vou espalhar no mundo o que cultivei daquele amor que não mais planta, mas é minha raiz e assim amando ou não estará sempre comigo e eu sempre contigo, mas no muro não encosto mais.